Recentemente eu fui pego de surpresa por uma dessas chuvas de verão. Num primeiro momento, fiquei frustrado e até um pouco irritado com a situação. Mas, passado o susto inicial, comecei a curtir o momento.

A água batendo no meu rosto, encharcando as minhas roupas, tirando qualquer vestígio de compostura que ainda tentasse resistir, me levou a uma viagem no tempo. À minha infância, tempo em que adorávamos brincar nas enxurradas e à adolescência, quando eu e meus amigos esperávamos ansiosamente por um dia chuvoso, para pedalarmos pelas ruas e avenidas da cidade com a água batendo na cara. Para nós isso era uma grande aventura, era radical e nos divertíamos muito.

Mas esse tempo passou. E as crianças cresceram. Hoje um é juiz, o outro engenheiro e perdemos essa simplicidade. Agora buscamos prazer em coisas maiores, mais sofisticadas, mais caras. Nenhum de nós brinca mais na chuva.

Talvez você também tenha memórias como as minhas, e precise trazê-las de volta a vida. Talvez você não tenha memórias assim, então por que não cria-las?

Seja como for, na próxima chuvarada, faça essa experiência. Descubra o prazer do simples. Liberte a criança em você e saia na chuva. Permita que água molhe o seu corpo e lave a sua mente. Que ela leve embora seus pensamentos sombrios e traga de volta aquela criança que está escondida lá dentro.

Eu tenho certeza que você tem muito pra aprender e para se divertir com ela.